terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Educação em saúde

Hoje tive a primeira aula de educação em saúde e achei interessante compartilhar esse assunto, já que é de interesse de todos.

                A integralidade, uma das metas do SUS, está na prevenção e promoção dos indivíduos. Ou seja, o profissional não deve se restringir na assistência curativa, o histórico do individuo é essencial para compreensão dos hábitos que levaram ou poderão causar uma patologia. Por isso informar a comunidade sobre a saúde básica cabe a qualquer profissional, seja da saúde ou não, orientar da melhor forma sobre os cuidados com a sua saúde.
                Segundo Paulo Freire, a participação de todos na produção do conhecimento é a chave para que a informação a ser dada a uma comunidade seja do interesse de ambas as partes, só assim, falando o porque da importância da higienização, por exemplo, será transformada em conhecimento. Não existe a verdade absoluta deve-se ter dialogo entre os que estão divulgando a informação e o publico, não se esquecendo de focar qual o publico alvo.
                O Brasil tem um histórico muito ruim em relação a saúde e medicamentos. A maioria da população se automedica, e isso tem um porquê. Durante o século XIX, com o surgimento de cortiços e o êxodo rural, as pessoas se aglomeravam em péssimas condições sanitárias aumentando os surtos epidêmicos das novas cidades brasileiras. Principalmente São Paulo e Rio de Janeiro, se viram na obrigação de fazer algo a respeito, não para melhorar a saúde da população, mas sim melhorar a imagem das cidades politicamente. Nesse mesmo período com o avanço da ciência foi descoberto a existência de patógenos, que na visão da época seria o responsável pelas doenças. Há também o surgimento das multinacionais farmacêuticas que aterrorizavam a mente das pessoas. Essa época, para fins didáticos, ficou conhecida como Higienização.
                A educação dada aos indivíduos era muito controladora. Segundo Durken, o surgimento das doenças é pela ignorância e descaso das pessoas. O que não deixa de ter um fundo de verdade, porem o descaso maior naquela época era do governo, que não tinha o compromisso de informar da maneira certa a população. Um exemplo disso foi os folhetos escritos sobre a importância da vacinação distribuídos a população, que na época era a maioria analfabeta. Com falta de informação a população não aceita o recebimento das vacinas, que passaram então a ser dadas com ajuda dos policiais, arrombando as casas. A vacinação obrigatória revoltou a população, não por menos, já que estavam “aplicando uma doença” no organismo dos indivíduos.                      
                Após esse acontecimento desastroso de tentar controlar a febre amarela, passaram a incluir no currículo de escolas primárias a higienização básica  para as crianças. No entanto quem no inicio do século XX ia na escola? Claro, todos menos os que sofriam mesmo com o problema, os menos favorecidos. Dizia-se naqueles tempos que eles eram os promissores das doenças.
                Para não ficar muito extenso o assunto irei parar por aqui, mas já deu de ter uma noção do nosso histórico de automedicação, a mídia influencia como sempre e aterrorizam todos a medicar-se para prevenir a doença. O que não é muito diferente de hoje.
                Segundo um dos princípios do SUS, a de equidade, tratar desigualmente os indivíduos para promover a igualdade da população, mas esse será um dos assuntos da próxima semana.